Boas Vindas !

Há alguns anos venho percorrendo, de moto, alguns caminhos. Em especial em nossa Linda América. Aqui tenho pequenos relatos, fragmentos destes passeios. Eles foram feitos com o intuito de preservar um pouco do que eu vi. Um pouco do que eu vivi.

Agora, com poucos cliques, revejo caminhos... Selvas, desertos, gêiseres, caminhos patagônicos, geleiras, lagos, canyons, entranhas da terra... relembro de ares gelados de madrugadas altiplânicas...

De tudo o mais importante: revejo olhares e relembro atitudes de gentes que serão para sempre parte de minha vida. Ao viajante que passar por aqui espero que goste.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

DIRECCIÓN SUR - DIAS 20 e 21.12.2011 - MERCEDES E POZO DEL MOLLE

Eu vi um “velho leão”, de uma perna só, que rugia feroz e aparentemente sem motivo. E que ao final provou que também sabia sorrir. Mas isto foi no final do primeiro dia destes novos caminhos de viagem. Como sabem, estou na estrada para mais uma aventura em duas rodas. Meu destino inicial é a CARRETERA AUSTRAL e depois a TERRA DO FOGO, USHUAIA, por caminhos de terra, pela famosa RUTA 40. Sai no dia previsto. Dia 20. A saída foi pensada para ser de madrugada. Sairia as quatro. E sai efetivamente. Mas as quatro da tarde. “Coisas de Gilson”, diriam uns e outros. Kkk A verdade é que o grande número de processos, em meu trabalho, nos dias que antecederam o começo da viagem, foram determinantes no atraso da organização final dos aspectos todos que envolvem uma aventura de motocicleta. (Além do fato de ter feito questão de dar um abraço em alguns queridos amigos que fazem, de certa forma, parte de minha história)

Mas passado o sufoco, iniciado o recesso forense, estou aqui em las carreteras e já de início, sinto que o calor nos dias iniciais, ou até me aproximar del “Fin Del Mundo”, serão de grande intensidade. No pequeno trecho no Brasil, entre Santo Ângelo e São Borja, onde fiz aduana e comecei a ver o Brasil pelo retrovisor da “Ruivinha III” (nome da minha moto), assim como na Província de Corrientes e Entre-Rios observei várias queimadas. Muitas com a forte aparência de acidentais, e provavelmente resultantes de descuidos e do calor infernal que se apresenta, uma vez que começaram bem ao lado das rodovias. Como sempre, os trâmites de aduna em São Borja foram muito rápidos. Em poucos minutos já estava carimbado o meu novo passaporte, estava de posse de minha Carta Verde, feita no Complexo aduaneiro na fronteira (custo de R$ 40,00 para trinta dias), havia cambiado mais alguns dólares por pesos e seguia meu caminho até chegar em Mercedes. No primeiro dia, em razão da saída tardia, somente fiz 500 Km. Uma vez que sai tarde, ao anoitecer (não gosto de viajar a noite) e chegando em Mercedes, busquei um Hotel. Neste local conheci o “leão feroz e de uma perna só”. O seu proprietário. Seu hotel é grande. Grande e revelador, pela sua estrutura, que foi feito nos áureos tempos. O seu proprietário, um senhor de aproximadamente 70 anos, encontro bebericando Whisky e conversando com uma senhora, a qual deduzi ser a esposa, e com alguns amigos. No momento em que chego, a senhora corre para ver a moto. É incrível como a moto fascina as pessoas. Ainda que não pilotem (caso da senhora em destaque) Logo providenciam um local muito bom para a “Ruivinha III” passar a noite. Logo após um pedido de informações de um local para cenar, sua esposa começa a dar orientações concomitantes ao “leão de uma perna só”. Este se altera com a esposa com uma rispidez incrível e se revela como se fosse um “leão feroz”. A esposa, elegantemente, administra a situação sem grandes traumas. Após cenar, ops, jantar vou dormir. Pela manhã reencontro o “leão de uma perna só” (ele a teve amputada por problemas de saúde), cabisbaixo, e organizando uma fila de medicamentos. Esta cena me lembra de um texto antigo do Dalai Lama no qual ele se mostra perplexo ante o fato de os homens perderem a saúde para juntar dinheiro e depois perderem dinheiro para recuperar a saúde. Talvez me equivoque mas imagino que seja este o caso do “leão”. Pela manhã, ao sair de seu Hotel, o “leão”, sempre educadíssimo (comigo) esboça um largo sorrido e um desejo de buen viaje y felices fiestas. Saio de Mercedes e vou a Federal (mais ou menos 240Km). De Mercedes a Federal a estrada é péssima. De Federal sigo viagem em direção a Paraná (200km). Cruzo o túnel subfluvial que liga as províncias de Entre-Rios e Santa Fé, e prossigo até chegar em Pozo del Molle.http://www.tunelsubfluvial.gov.ar/Subpaginas/Historia.htm

Os caminhos (em que pese a má conservação do trecho Mercedes/Federal) tranqüilos do segundo dia terminam, ao chegar no quilometro 1200 (desde a saída de casa), com um belo pôr-do-sol, como mostra a foto que posto. No momento estou no belo e acolhedor (e barato) Hotel Del Centro. Vou descansar porque os dias estão extremamente quentes. (Sei que, ainda nesta viagem, vou ter muita saudade deste calor).

A propósito, observei ontem e hoje, temperaturas superiores a 42 graus aqui nesta região da Argentina. A situação é preocupante. Tem cortes de energia no período das 13h às 15h. E também no período que compreende 18h30min às 20h30min).

(e não é que começa a chover !!)

PS. Anoto o especial carinho do mano e grande “motoviajero”, RENATO LOPES que, sabendo de minha viagem, veio de Santa Maria, no dia 19, num bate e volta, para almoçarmos juntos e me desejar uma boa viagem. Para quem não sabe o Renato participa comigo de vários grupos de motociclistas e ele recentemente terminou uma “pequena” aventura. No caso a pequena aventura envolveu uma passeio Alaska/Ushuaia.

Pôr-do-sol chegando em Pozo del Molle





Saindo do Túnel Subfluvial em Paraná/Santa Fé




No Hotel do "Leão"
Caminhos na fronteira








Saindo de Casa



domingo, 20 de novembro de 2011

BOLIVIA, UYUNI, SALAR, FIESTA DE LA VIRGEN DE URKUPIÑA, EL CAMINO DE LA MUERTE, INTEROCEÂNICA SUR (retorno ao Brasil pelo Acre).


Em 2010, desta vez durante os meses de agosto e setembro, retomei minhas "aventuras" pela América. Tenho um propósito. Em princípio, enquanto "jovem" (ainda que o espelho, com razão, teime em me desmentir, me considero assim), quero conhecer o máximo de nossas terras americanas.
Desta vez sai de Santo Ângelo com a ideia principal de conhecer o famoso SALAR DE UYUNI, maior planície de sal da terra, área de 12.000km2, a 3.600m de altitude e, também, de pilotar pela não menos famosa ESTRADA DA MORTE, caminho entre La Paz e Coroico, ambos na Bolívia. Mas antes de chegar a tais locais tinha o que de melhor ocorre nas viagens, “o caminho” propriamente dito. E o caminho implicou em tomar uns vinhos em Mendoza (oeste argentino), visitar algumas das casas de Pablo Neruda, em Santiago e em Viña del Mar, no Chile, dar uma olhada no pacífico, subir para tentar, pela terceira vez, visitar Chuquicamata (a maior mina de cobre a céu aberto do mundo), em Calama-CH, la tierra del sol y cobre.
Desta vez, finalmente, com o auxílio de pessoas que trabalham na recepção de turismo da mina, consegui visitá-la.
Muitas vezes tenho dificuldades nas visitações pretendidas, uma vez que quase tudo o que "programo" é no improviso. A verdade é que raramente tenho uma programação. Então é recorrente o fato de passar por alguns lugares e não ter mais vagas nos locais de visitação pretendidos. Como sempre penso que um dia vou retornar não esquento muito com isto. Ademais, os locais de atração são infindáveis. Se não é possível visitar um local vou a outro.
Antes e pelo caminho, ainda no Chile, após Viña Del Mar, Valparaíso, e subindo por La Serena cheguei em Copiapó. Local onde, na época, estavam ainda soterrados os trinta e três mineiros na Mina San José. O dia em que cheguei em Copiapó foi um dia abençoado. Neste dia o grupo internacional formado para resgatar os mineiros conseguiu contatá-los. A sonda de perfuração, após algumas tentativas frustradas, os localizou, desceu até onde eles se encontravam soterrados e conseguiu contatá-los. Nesta oportunidade eles enviaram, pela sonda, o bilhete que ficou internacionalmente famoso e no qual afirmavam, "estamos bien, en el refugio, los treinta y tres . Para sempre lembrarei este dia. O compartilhei junto de amigos chilenos e acompanhei a emocionante comemoração onde, nas carreatas que fizeram, eram constantes os gritos: "Chi, Chi, Chi, le, le, le, Viva los mineros de Chile". Não creio que eles manifestarão tanta alegria em uma comemoração de um campeonato de copa do mundo, como eles a evidenciaram, por justa razão, neste dia.
Depois deste belo e feliz momento, passa­ndo por Taltal, Antofogasta e o Tropico de Capricórnio, me fui em direção a Calama onde, como frisei, após visitar Chuquicamata segui em direção a fronteira com a Bolívia.
Com o foco num dos objetivos da viagem, em terras bolivianas, no caso o Salar de Uyuni, a passada por Calama foi rapida (Calama realmente não tem grandes atrativos), Passando por Chiu Chiu, pelos Salares de Ascotán e de Cárcote cheguei em Ollague que foi o último pueblo chileno no qual estive antes de entrar na Bolívia. Em Ollague fiz aduana que está semi-integrada. No lado direito de quem vai fica a aduana chilena. Lado esquerdo, cruzando os trilhos de trem, está a aduana e imigração boliviana.
Após os trâmites de estilo, adentrei na Bolívia por Estación Abaroa. Me fui em direção a Chiguana, Julaca, Rio Grande, Vila Alota para, finalmente, chegar a cidade de Uyuni. De Uyuni partem a maioria dos passeios para conhecer o seu famoso salar. Local fantástico. Vale revisitas. Dentro do salar, outro local de visitação imperdível e que faz parte de todos os pacotes turísticos, é a Isla Incahuasi ou Isla Pescado. É chamada assim porque tem a forma de um peixe. Mas ela é famosa pelos seus cactus gigantes com mais de novecentos anos. Ainda no salar visitei Coqueza. Coqueza é um pequeno paraíso onde a companhia dos humanos fica limitada a flamingos e llamas. Um local para descansar.
Do salar retornei a cidade de Uyuni a qual encontrei em grande festa. Fui "presenteado" com a festa para a "Virgen de Urkupiña", a padroeira local. A festa é para a virgem mas quem se diverte são os (in)fiéis. Uma bela festa popular com direito a desfiles, belas moças e muita fantasia. Algo parecido com o carnaval de algumas cidades do interior de nosso país. (oportunamente sigo com os relatos e posto mais algumas fotos).